Cachaça

Se você aprecia uma boa cachaça, encontrou o lugar certo no Piauí. Nos fins de tarde. Um bom papo com os amigos, alguns goles, um tira-gosto maneiro, a promessa de bons momentos e o mundo se abre para o final de semana. Em um barzinho qualquer dos inúmeros que Teresina oferece o encontro é sagrado. Alguém meterá a mão no bolso e retirará um umbu quase maduro – fruta cítrica e deliciosa de que os quintais do Piauí são fartos. Aquela frutinha deverá fazer jus a umas três quem sabe quatro doses, boas doses. Talvez mais. Uma talagada, uma mordidinha; uma talagada, uma mordidinha. E assim vai o papo se arrastando. O tempo passa que ninguém nota. Mas todos se divertem com um dos mais fascinantes hábitos culturais dos piauienses - a cachaça.

É na mesa de bar que a cachaça melhor se manifesta, criando uma rotina na vida de muitos brasileiros. Há tipos e marcas para todas as preferências; há sabores para os exigentes; há caretas para os gulosos; há cores para os atentos; há o brilho nos olhos dos que se excedem; há momentos alegres; há situações embaraçosas; há descontrações pela fala; há discursos inflamados; há piadas divertidas; há elogios à mulher brasileira; há um brinde ao time preferido. Mas o que há mesmo em torno da cachaça é um mundo de surpresas, algumas horas de descontração. Beber é também uma arte onde só o bom senso pode prevalecer. E ter bom senso é saber beber.

Cachaça no Piauí é um assunto dominante. Por todo canto existem os que a apreciam, os que a colecionam, os que a degustam como se obedecessem a um ritual só visto entre os enólogos. Alguns a preferem gelada; outros ao natural; e outros servida em coquinhos, que a acrescentam um sabor especial, ou ainda misturada com sumo de limão e açúcar.

Olham-na contra a luz, apreciam a textura e a transparência, ou a veem encorpada, amarelada, às vezes azulada. Essas formas especiais servem para estabelecer um respeito mútuo entre o degustador e esse líquido precioso. É como se existisse uma cumplicidade do fundo da alma, um agradecimento em forma de hino de amor, acalmando os nervos, o estresse do dia-a-dia, as irritações urbanas que os acometem diariamente. Brindar é sempre agradável, e os melhores brindes são feitos em mesas de bar, depois do expediente, antes do jantar, até que o bom degustador seja conduzido aos braços de quem o aguarda. Um brinde aos amigos, os rotineiros e os novos que acabam de nos brindar com suas visitas.

O visitante pode experimentar diversos rótulos da legítima cachaça piauiense, que de tão notória ganhou nos meses de julho um festival no município de Castelo do Piauí – representante maior da produção de cachaça no estado, a 184 quilômetros de Teresina.

A produção piauiense é tamanha que foi criada a Associação dos Produtores de Cachaça do Estado do Piauí (APCP), com muitos alambiques que produzem mais de 3 milhões de litros de cachaça ao ano. No mercado de exportação, o próprio Nordeste é a região brasileira que mais consome a cachaça piauiense, além de mercados garantidos na Europa e Estados Unidos e, potencialmente, a cidade de Brasília como forte consumidora do produto.

O município de Castelo do Piauí é o maior produtor de cachaça do Estado, destacando-se ainda Palmeira do Piauí, Santa Luz, Colônia do Gurguéia, Bom Jesus, Amarante, Barro Duro, Inhuma, Pedro II, São João da Serra, São Miguel do Tapuio, José de Freitas e Teresina. O consumo da cachaça piauiense está em expansão, especialmente para o mercado internacional. É um setor da economia que vem apresentando excelente desempenho, especialmente pela geração de emprego e renda, associado a outras atividades, como a produção de rapadura, açúcar mascavo e o aproveitamento de resíduos de produção como adubo e ração para animais.

Com açúcar e com afeto, o piauiense evidentemente tira bom proveito da cachaça. É com ela que ele se diverte, que cria coragem para a paquera, que ri, que perde a inibição, que descontrai, que faz amigos e que chora quando convém. Venha experimentar! Pode entrar, a casa é sua!