Pagode de Amarante

Com forte influência nas manifestações populares tradicionais do Piauí, o Pagode de Amarante é referência na dança e na música. Praticado inicialmente pelos negros, o pagode encanta pelo seu ritmo e pela constante participação de todos que o assistem. Em Amarante, que fica a 156 quilômetros ao sul de Teresina, o pagode tem seu berço, e já se tornou uma tradição. Aos sábados, os tambores invadem os terreiros das beiras dos rios Canindé e Parnaíba, mantendo uma tradição que vem de longe, dos tempos em que os negros chegaram ao Brasil como escravos comercializados pelos portugueses.

Duas vozes e tambores dão o toque básico do Pagode de Amarante. As cantigas vão surgindo, até improvisadas, mesclando-se entre as vozes dos cantadores, cujos versos às vezes saem da criação momentânea. Enquanto cantam, formam-se duas filas de participantes velhos e jovens que, aos pares, vão se cruzando sem obedecer a uma coreografia pré-estabelecida.

“Cada par vai improvisando rodopios, sapateando e gingando”, descreve o professor Noé Mendes de Oliveira, já falecido. “As negras requebram, enquanto os homens lhes fazem galanteios, numa incrível exuberância sensual”.

Noé acrescenta que os homens dançam batendo em matracas, chamadas “gafanhotos”. É uma espécie de castanhola, feita de um pau oco, medindo aproximadamente 15 centímetros. O seu uso é típico do Pagode de Amarante e produz um som estranho, alucinante e belo. Os gestos são a base dos dançadores que, sem cantar, produzem gritos e tornam a dança cheia de sensualidade, de riqueza coreográfica e de ritmo afro contagiante.