O Parque Nacional da Serra da Capivara, no sudeste do Piauí, registrou 41.080 visitas entre janeiro e setembro de 2026, um crescimento de 11,2% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 36.941 visitas. Os dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) representam um acréscimo de 4.139 visitas e reforçam a relevância do destino para o turismo arqueológico, cultural e de natureza no estado.

Após receber cerca de 49 mil visitantes ao longo de todo o ano de 2025, o parque apresenta avanço no acumulado dos nove primeiros meses de 2026. O desempenho, entretanto, varia entre os meses, com períodos de crescimento e de redução na comparação com o ano anterior.
Julho concentrou o maior movimento nos dois períodos analisados: foram 8.164 visitas em 2026, ante 7.853 em 2025. Janeiro também se destacou, passando de 4.136 para 5.908 visitas, enquanto junho avançou de 4.881 para 6.132. Já setembro registrou redução, de 4.129 para 3.440 visitas.
Reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade desde 1991, o parque reúne pinturas rupestres, sítios arqueológicos, trilhas e paisagens da Caatinga. Esse conjunto oferece experiências que aproximam os visitantes da história da ocupação humana e da diversidade natural da região.
O aumento da visitação amplia as oportunidades para a economia regional, com reflexos na demanda por serviços de condução de visitantes, hospedagem, gastronomia e transporte, além de produtos artesanais. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de conciliar o desenvolvimento da atividade turística com a conservação do patrimônio e a valorização das comunidades locais.
Para o secretário de Estado do Turismo do Piauí, Daniel Oliveira, o cenário destaca a importância da atuação integrada entre o poder público e os municípios.
“O crescimento da visitação à Serra da Capivara demonstra a força desse destino para o turismo piauiense. Nosso compromisso é trabalhar de forma integrada com os municípios para transformar esse interesse em oportunidades para a população, valorizando o patrimônio e incentivando o visitante a conhecer mais experiências na região”, destaca o gestor.
Planejamento e diversidade de roteiros
Nesse contexto, o Plano de Uso Público (PUP) constitui um instrumento de planejamento da visitação do parque. O documento está disponível na página oficial da unidade de conservação, mantida pelo ICMBio.
O planejamento contempla 11 áreas turísticas: Mulheres, Pedra Furada, Sítio do Meio, Chapada, Energia, Zabelê, Desfiladeiro da Capivara, Angical, Gongo, Serra Vermelha e Serra Branca. Os percursos reúnem diferentes paisagens e conjuntos arqueológicos, com características distintas de acesso, infraestrutura e dificuldade.
Essa diversidade permite a composição de roteiros para diferentes públicos e pode contribuir para ampliar o tempo de permanência dos visitantes, distribuindo os benefícios da atividade entre os municípios da região.
Entre os destaques está Coronel José Dias, uma das portas de entrada do Parque Nacional da Serra da Capivara. O município reúne acessos e atrativos associados a roteiros como Boqueirão da Pedra Furada, Sítio do Meio, Desfiladeiro da Capivara, Baixão das Mulheres, Grotão da Esperança e Caldeirão dos Rodrigues.
A oferta turística também inclui o Museu da Natureza, a Cerâmica Serra da Capivara, a Cerâmica Pedra Furada e o Centro de Memórias dos Povos da Serra da Capivara. Este último é uma iniciativa do Instituto Olho d’Água (IODA), voltada à preservação e à valorização das histórias, dos saberes e das experiências das comunidades do território.
No entorno do parque, na zona de amortecimento, o Serrote da Bastiana e a Toca de Cima dos Pilões também integram o conjunto de locais de interesse arqueológico e paleontológico da região. Esses espaços ampliam as possibilidades de conhecimento sobre a história local e as pesquisas científicas desenvolvidas no território.
Oportunidades para as comunidades
Segundo o secretário municipal de Turismo de Coronel José Dias, Arivan Lima, o crescimento da visitação representa uma oportunidade de desenvolvimento social e econômico para todo o território Serra da Capivara. O gestor destaca a diversidade de experiências disponíveis, que abrange ecoturismo, turismo de aventura, turismo arqueológico, turismo rural e turismo de base comunitária, além de museus e espaços de produção ceramista.
Arivan ressalta que a articulação entre os atrativos e as políticas públicas municipais, estaduais e federais pode estimular estadias mais longas e ampliar a circulação de renda nas comunidades. Para ele, o desenvolvimento do setor deve caminhar junto com a valorização da cultura, da memória e da participação da população local.
A integração entre o parque e os atrativos dos municípios do entorno é estratégica para ampliar os benefícios do turismo na região. Diante do crescimento acumulado da visitação, o planejamento, a qualificação dos serviços e a conservação do patrimônio permanecem essenciais para fortalecer a Serra da Capivara como destino de relevância nacional e internacional.
Crescimento no período: 11,2%, equivalente a 4.139 visitas a mais.
Fonte: ICMBio. Percentual calculado a partir dos totais mensais informados e Observatório de Dados Turísticos do Piauí
Por Maria Elvira Raulino